Um dia desses, meu professor de português me obrigou a fazer marcha atlética na sala de aula na frente de todos. Obviamente que eu fiquei morrendo de vergonha, mas acabei fazendo, pois não tinha outra saída, eram quarenta contra uma! Depois que eu fiz me veio um sentimento de ódio e stress, comecei a tremer e não conseguia parar, então eu fiquei quieta no meu canto e não queria falar com ninguém a respeito disso, só saí de onde eu estava depois que tudo passou.
Por que tanto desespero assim? Pois é, eu mesma demorei pra compreender o motivo disso, e quando descobri cheguei a uma conclusão! Foi algo que aconteceu meu passado e que isso só me deixava triste e fiquei com medo de que isso acontecesse novamente. Vou explicar melhor.
Quando eu estava na sétima série, a escola inteira sabia que eu praticava atletismo. Se não bastasse, tinha entrado uma professora de Educação Física que também corria e gostava de atletismo. Ela costumava a sempre puxar assuntos relacionados a isso comigo.
Até então não tinha nem um problema. Só que ela começou a me destacar na sala me usando como exemplo, do tipo: “Gente vocês precisam praticar esporte, a Priscilla faz atletismo, vocês deviam fazer algo também”, “Hoje a aula será sobre atletismo! A Priscilla já sabe fazer, mas quem quiser pode pedir ajuda pra ela. Vocês não precisam fazer perfeitamente, porque a Priscilla já sabe fazer.”. Eu odiava isso porque sou do tipo de pessoa que não gosto de chamar a atenção e principalmente ficar me exibindo por isso.
Durante as aulas, ela me mandava fazer os exercícios pra mostrar aos outros, eu fazia xingando – a pelos meus pensamentos, sim, eu ficava revoltada. E mesmo assim tinha alguém pra piorar ainda mais minha situação. As pessoas da minha classe diziam que eu me achava em relação a isso, só que o que eu menos queria era-me exibir! Como eu me revoltei, resolvi então a me atrasar na hora de ir pra quadra, e principalmente a fazer os exercícios errados.
A partir do momento em que comecei a fazer errado, o pessoal começou a reclamar dizendo que eu tinha a obrigação de fazer tudo corretamente porque eu praticava atletismo, e diziam que eu não podia fazer de qualquer jeito e nem errar nada! A minha vontade era de xingar, gritar e bater em todos, mas eu guardava toda essa raiva pra mim e acabava chorando escondido. Juro que não conseguia entender o que se passava na cabeça dessas pessoas, mas o que me deixava com mais raiva, era que eles não tinham razão nenhuma pra falar de mim, eles mesmo se achavam porque pensavam que sabiam jogar vôlei, mas eram péssimos.
Aturei isso durante dois anos, até eu me formar na oitava série. Como eu iria pra uma escola diferente, eu fiquei com medo de isso se repetir. Então, prometi pra mim que iria manter silêncio sobre esse assunto e se possível até mesmo segredo. Como havia algumas pessoas conhecidas nessa escola, seria muito difícil manter segredo, mas não fiquei falando a respeito disso.
Aos poucos, algumas pessoas foram descobrindo por conhecidos e também por eu deixar escapar certos comentários sobre minhas competições. Mesmo algumas pessoas descobrindo e até mesmo se impressionando, fiz de tudo pra dar o mínimo de atenção a esse tipo de coisa. Eu sabia que várias pessoas da escola já estavam sabendo disso e também sabia que ainda tinha várias pessoas que não sabiam. Até então estava tranquila porque eram poucas pessoas que sabiam e não me importava tanto.
Por isso, quando eu tive que fazer marcha na frente da classe, veio na minha cabeça justamente o fato de que agora todos da sala sabem, por conta disso fiquei com medo de tudo se repetir, mas aconteceu completamente o contrário. Fiquei feliz quando vi que todos levaram isso numa boa e não ficaram dizendo sobre mim desse assunto.
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